A Prefeitura de Terenos, município a 30 km de Campo Grande, é acusada de virar“cabide de emprego” para parentes de oito dos 11 vereadores. Levantamento identificou filhos, esposa, nora, genro, neto, enteada, irmão, sobrinha, namorada e até ex-esposa nesta lista de 16 pessoas.
A denúncia feita ao Jornal Midiamax partiu de moradores. “A gente está acompanhando os desdobramentos”, afirmou um leitor.
Deste total, 12 das 16 nomeações ocorreram noprimeiro semestre de 2025, ou seja, meses logo após a posse do mandato atual dos vereadores. Somente uma dessas pessoas ocupa cargo na prefeitura desde período anterior a 2025.

Consulta ao Portal da Transparência indicou que os salários variam de R$ 1.569,16 a R$ 9 mil. Metade desses parentes de vereadores recebem salário-base acima de R$ 4,4 mil.
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o salário médio dos trabalhadores formais em Terenos é de 2,1 salários-mínimos, o que corresponde a cerca de R$ 3.404,10. O último Censo Demográfico aponta para 17.652 moradores.
O vereador com mais parentes nomeados é Clayton Cleone Melo Welter, conhecido como Caco (PP). São cinco familiares com cargos na Prefeitura de Terenos.
Confira a lista completa de vereadores com parentes nomeados na Prefeitura de Terenos:
- Clayton Cleone Melo Welter, apelidado de Caco (PP): 5;
- Leandro Caramalac (PSD): 2;
- Marcos Inácio Campos, vulgo Marquinhos da Van (PSDB): 2;
- Assis Alves de Almeida, conhecido como Saci (PSDB): 2;
- José da Silva Cipriano, vulgo Zé Paraíba (PP): 2;
- Wilson Miguel do Carmo, conhecido como Bixiga da Rádio (MDB): 1;
- Márcio Rezende (Pode): 1;
- Silvio Figueiredo Brites, vulgo Silvio da Estação (PSBD): 1.
Os únicos vereadores que não aparecem na lista são Henrique Rezende dos Santos (Pode); Magno da Silva Santos (PSD) e Marilda Vieira da Silva Luiz (União).
Prefeitura nega pressão por nomeações
Em nota enviada ao Jornal Midiamax, a Prefeitura de Terenos negou que as nomeações tenham ocorrido por qualquer tipo de interferência do Legislativo e diz que casos não configuram nepotismo. Confira a nota na íntegra:
“A Prefeitura de Terenos informa que as nomeações citadas seguem estritamente a legislação vigente e não configuram nepotismo, conforme entendimento consolidado na Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal.
As nomeações ocorreram por ato do Poder Executivo, dentro da competência administrativa do gestor municipal, em cargos de livre nomeação e exoneração previstos em lei. Ressalta-se que o simples vínculo de parentesco com vereadores não caracteriza nepotismo, desde que não haja interferência direta da autoridade com grau de parentesco ou troca de favores entre os Poderes, o que não ocorreu.
A Administração Municipal reafirma que todas as decisões administrativas foram tomadas de forma autônoma, dentro da legalidade e com base nos princípios que regem a Administração Pública.
A Prefeitura também destaca que não houve qualquer tipo de pressão, condicionamento político ou interferência externa nas decisões administrativas adotadas.
Por fim, o Município reitera seu compromisso com a transparência, a legalidade e a responsabilidade na gestão pública, permanecendo à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais”.
O que diz a Câmara de Terenos?
O Midiamax procurou a Câmara de Vereadores para perguntar sobre as nomeações. A reportagem também procurou o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para questionar se há investigações sobre o assunto.
Em nota, a Câmara de Vereadores afirmou que não possui competência para interferir nas decisões da Prefeitura de Terenos. Confira a nota na íntegra:
“A Câmara Municipal de Terenos esclarece que, nos termos da Constituição Federal e da legislação vigente, a Prefeitura Municipal possui autonomia administrativa para realizar suas próprias nomeações e contratações, bem como para estabelecer os critérios técnicos aplicáveis aos cargos comissionados e aos procedimentos licitatórios.
Ressaltamos que a Câmara Municipal não possui competência legal ou gerencial para interferir nas decisões do Poder Executivo quanto a quem deve ser nomeado, contratado ou quanto à condução de licitações, por se tratar de atos de exclusiva atribuição da Administração Municipal.
Informamos ainda que a Câmara mantém canal permanente e aberto para recebimento de denúncias e reclamações da população, disponível em seu site institucional. Caso haja indícios de que algum servidor ou contratado não esteja atendendo aos requisitos técnicos do cargo ou apresente desempenho insatisfatório, a população pode formalizar manifestação, ocasião em que a Câmara Municipal poderá solicitar esclarecimentos ao Poder Executivo, dentro de suas atribuições fiscalizatórias.
Até o presente momento, não houve registro formal de denúncia ou reclamação junto à Câmara Municipal relacionada especificamente às situações mencionadas.”
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