Mato Grosso do Sul ampliou nesta quarta-feira, 18 de março, o espaço que vem ocupando no debate ambiental nacional. Durante reunião online, o governador Eduardo Riedel foi eleito por unanimidade presidente do Consórcio Interfederativo sobre o Clima Brasil Verde, iniciativa que reúne 15 estados brasileiros em torno de ações ligadas às mudanças climáticas, preservação ambiental, sustentabilidade e transição energética. Até então, o cargo era ocupado pelo governador do Espírito Santo, Renato Casagrande.
A escolha de Riedel ocorre em um momento em que Mato Grosso do Sul tenta consolidar protagonismo em pautas ambientais estratégicas, apoiado em ações voltadas à preservação dos três biomas presentes no Estado: Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. O novo posto reforça esse movimento e coloca o Estado em posição de maior articulação nacional e internacional em temas ligados ao clima.
Segundo o secretário-adjunto da Semadesc, Artur Falcette, o consórcio foi criado para ajudar os estados a se organizarem em torno da agenda climática e ambiental, além de fortalecer projetos de desenvolvimento vinculados a mercados estratégicos. “Esse consórcio foi criado com o objetivo de ajudar os estados a se organizarem no entorno da pauta das mudanças climáticas e de algumas questões ambientais e do desenvolvimento. Com estabelecimento de relações com a União Europeia e Estados Unidos, além de parceiros da América do Sul, sempre com projetos para mercados que são estratégicos para esses estados que participam”, explicou.
Criado em 2019, o Consórcio Brasil Verde é uma articulação interestadual voltada ao enfrentamento das mudanças climáticas. Além de Mato Grosso do Sul, fazem parte do grupo os estados do Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e São Paulo.
Entre os objetivos centrais do consórcio está o apoio aos estados na construção de protagonismo em ações climáticas, reunindo diferentes biomas e regiões do país em uma agenda comum. Na prática, a proposta é conciliar desenvolvimento econômico com sustentabilidade climática, buscar recursos para a redução de emissões e estimular medidas de adaptação diante dos impactos ambientais.
A eleição de Riedel também tem um peso político e técnico para Mato Grosso do Sul. Isso porque o Estado já exercia a coordenação do bioma Pantanal dentro da estrutura do consórcio, o que, segundo Falcette, dava a Mato Grosso do Sul uma interlocução prévia dentro dessa organização. Agora, com a presidência, a tendência é ampliar a capacidade de articulação e fortalecer projetos estratégicos do próprio Estado.


“O consórcio é organizado por biomas, nós já éramos coordenadores do bioma Pantanal, então a gente já tinha essa interlocução. Mas é papel do consórcio, e ele fez isso nos últimos anos, trazer capacitações para os estados na elaboração de projetos para a captação de recursos internacionais e nos ajudar na ponte para essa captação. O nosso Estado à frente desse consórcio possibilita, inclusive, que a gente tenha um olhar mais estratégico para fortalecer ações nossas, como o Fundo Clima Pantanal, por exemplo”, afirmou o secretário-adjunto.
O trecho ajuda a explicar por que a eleição de Riedel vai além de uma mudança administrativa. O comando do consórcio pode abrir mais espaço para Mato Grosso do Sul em articulações internacionais, especialmente na busca por financiamento para projetos ambientais e de transição energética. Também reforça o discurso de que o Estado quer transformar a pauta ambiental em eixo de desenvolvimento, e não apenas de preservação.
Outro ponto relevante é que este será o segundo consórcio presidido por Eduardo Riedel. A posse no Consórcio Brasil Verde está marcada para 3 de abril, com mandato de dois anos. Em janeiro, o governador já havia assumido a presidência do Consórcio Interestadual Brasil Central, que reúne outros seis estados e atua em pautas como saúde, educação, segurança e articulação política regional.
Esse acúmulo de posições amplia o espaço de Mato Grosso do Sul em fóruns de decisão interestadual e fortalece a presença do Estado em discussões que envolvem tanto políticas públicas quanto captação de investimentos e defesa de interesses regionais. No caso do Consórcio Brasil Verde, o destaque está na possibilidade de colocar o Estado em posição central nas discussões sobre clima, conservação ambiental e financiamento verde.
O principal gancho da notícia está justamente nesse avanço de Mato Grosso do Sul para além da agenda local. Ao assumir a presidência de um consórcio formado por 15 estados, o governo estadual passa a atuar em uma vitrine mais ampla, com potencial de influência sobre políticas ambientais e estratégias de desenvolvimento sustentável em diferentes regiões do país.
Ao mesmo tempo, a eleição de Riedel reforça o momento em que a pauta climática ganhou peso político e econômico. Em vez de tratar a preservação apenas como uma obrigação ambiental, o discurso do consórcio e do governo estadual aponta para uma lógica de integração entre conservação, captação de recursos, transição energética e abertura de mercados. É nessa linha que Mato Grosso do Sul tenta se posicionar nacionalmente.
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