Caso no BBB reacende debate sobre como agir durante uma crise epiléptica

O episódio vivido pelo ator Henri Castelli durante uma prova de resistência do Big Brother Brasil 26, trouxe novamente à tona uma dúvida comum fora dos hospitais: como ajudar corretamente uma pessoa durante uma crise epiléptica. O ator apresentou uma crise dentro do programa, foi levado ao hospital para exames, retornou ao reality e teve um segundo episódio. Por orientação médica, acabou deixando a atração.

Saber como agir durante uma crise epiléptica pode evitar acidentes e complicações.

A situação exibida em rede nacional ajudou a ampliar o debate sobre um tema cercado de desinformação. Especialistas ouvidos pelo Estadão explicam que as crises epilépticas podem se manifestar de formas diferentes, dependendo da região do cérebro afetada, e que a conduta correta pode evitar complicações e acidentes.

Sinais iniciais variam conforme o tipo de crise

Quando a crise atinge apenas uma parte do cérebro, os sinais costumam ser mais sutis. Nesses casos, a pessoa pode apresentar olhar fixo, confusão mental, tontura, dor de cabeça, enjoo ou até dor abdominal. Em algumas situações, o próprio paciente percebe que algo não está bem e consegue avisar quem está por perto.

Ao identificar esses sinais, a recomendação é manter a calma e ajudar a pessoa a se sentar ou deitar, evitando quedas. “Nesse estágio, não se sabe se a crise vai cessar ou se pode evoluir para uma crise tônico-clônica”, explica o neurologista Lécio Figueira.

Quando a crise evolui para o quadro mais conhecido, a chamada crise tônico-clônica, popularmente associada à convulsão, os sintomas se tornam mais intensos. Podem ocorrer queda súbita, movimentos involuntários, perda de consciência, salivação excessiva, mordida da língua e perda urinária.

Segurança é prioridade durante a convulsão

Diante de uma convulsão, a principal preocupação deve ser a segurança da pessoa. Para orientar a população, a Liga Brasileira de Epilepsia criou o protocolo CALMA, que resume as ações essenciais nesses casos:

C – Conservar a calma
A – Afastar objetos que possam machucar
L – Lateralizar a cabeça, colocando a pessoa de lado
M – Marcar o tempo da crise
A – Acionar ajuda médica, se necessário

Durante a crise, não se deve segurar os movimentos do paciente, pois isso pode causar lesões. Também não é indicado colocar objetos na boca ou tentar abrir a mandíbula. “É importante manter a pessoa de lado para evitar engasgos e não oferecer água ou medicamentos durante a crise, a menos que haja orientação médica”, alerta Figueira.

Caso seja a primeira crise, a orientação é acionar imediatamente o atendimento médico, como o Samu. A mesma recomendação vale se a convulsão durar mais de dois minutos, já que as chances de cessar espontaneamente diminuem. Após o episódio, a recuperação da consciência costuma ocorrer entre 10 e 15 minutos.

Quando a pessoa já tem diagnóstico de epilepsia

Em pessoas que já convivem com a epilepsia, a conduta pode ser diferente. Nem sempre é necessário acionar socorro médico, especialmente quando a crise segue o padrão habitual do paciente. Segundo o neurologista Ricardo Alvim, coordenador da Neurologia do Hospital Mater Dei Salvador, muitos pacientes reconhecem os sinais iniciais da crise.

Além do protocolo CALMA, Alvim destaca que, quando possível, registrar a crise em vídeo pode ajudar no acompanhamento médico, principalmente em casos ainda em investigação. As imagens auxiliam na avaliação do tipo de crise e na adequação do tratamento.

Os sinais iniciais variam conforme a área cerebral afetada e podem incluir alterações de cheiro, sensações estranhas ou episódios de déjà-vu. “Quem convive com o paciente deve se antecipar e preparar o ambiente para evitar acidentes”, orienta o especialista, chamando atenção para situações como dirigir, caminhar na rua ou permanecer próximo ao fogão.

Fatores que podem desencadear crises

Nem toda convulsão indica epilepsia. Alterações metabólicas, abuso de álcool ou drogas e traumatismo cranioencefálico também podem provocar crises isoladas. Entre os gatilhos mais comuns estão privação de sono, estresse intenso, infecções e estímulos luminosos.

Outros fatores, como desidratação e jejum prolongado, também podem contribuir para o surgimento das crises. Por isso, manter uma rotina regular, com sono adequado e acompanhamento médico, é fundamental para pessoas diagnosticadas com epilepsia.

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