Delcy Rodríguez nomeia novo chefe de segurança e muda comando da economia na Venezuela

Nos primeiros dias à frente do governo interino da Venezuela, Delcy Rodríguez  promoveu mudanças relevantes nas áreas de segurança e economia, em um contexto de forte pressão internacional e instabilidade política após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro. As decisões foram anunciadas na noite de terça-feira (6) e divulgadas por veículos estatais.

Rodríguez nomeou o general Gustavo González López como novo chefe da Guarda de Honra Presidencial e da Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), um dos órgãos mais sensíveis da estrutura de poder venezuelana. López substitui o general Javier Marcano Tábata, cujo desempenho passou a ser questionado após a operação que resultou na prisão de Maduro.

O novo chefe de segurança é alvo de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia, acusado de envolvimento em violações de direitos humanos e em ações de vigilância contra opositores políticos, especialmente durante os protestos antigoverno de 2014. Além dele, ao menos outros integrantes do alto escalão venezuelano respondem a acusações semelhantes no exterior.

González López já ocupou cargos estratégicos no aparato de segurança do país. Ele foi diretor de inteligência da Venezuela até meados de 2024, quando acabou substituído por decisão de Maduro, em meio a uma reformulação do gabinete e da cúpula militar. Meses depois, passou a atuar ao lado de Delcy Rodríguez na estatal petrolífera PDVSA, como chefe de assuntos estratégicos e de controle.

A nomeação reacende especulações internas. O general é considerado próximo de Diosdado Cabello, ministro do Interior, Justiça e Paz desde 2024, responsável pelo controle dos serviços de inteligência do Estado. Ainda não está claro se a escolha representa um gesto de fortalecimento dessa ala do governo ou uma tentativa de reorganizar forças no pós-Maduro.

Troca no comando econômico

Além da mudança na segurança, Delcy Rodríguez anunciou também a nomeação de Calixto Ortega, ex-presidente do Banco Central da Venezuela, como novo vice-presidente da Economia. Ortega assume o cargo que era acumulado pela própria Rodríguez, que também comandava o Ministério de Hidrocarbonetos antes da operação militar norte-americana.

Com passagem por cargos diplomáticos e financeiros, além de experiência no setor petrolífero, Ortega chega com a missão de reforçar a produção nacional. Segundo a presidente interina, a escolha tem como objetivo fortalecer a soberania alimentar e a economia interna.

Rodríguez afirmou ainda que pretende consolidar os resultados econômicos de 2025 e avançar em 2026, citando a estimativa de crescimento de 6,5% para o último ano, divulgada pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Apesar do discurso oficial, dados citados pela Agence France-Presse (AFP) indicam que a Venezuela enfrentou uma desvalorização de quase 500% da moeda local, reacendendo o alerta para um novo ciclo de hiperinflação. Ainda assim, especialistas ouvidos pela agência afirmam que as perspectivas para 2026 melhoraram com Delcy Rodríguez à frente do governo.

Essa avaliação se baseia no fato de que a presidente interina comandou a política econômica nos anos mais críticos da crise, quando adotou medidas como a flexibilização de controles e a despenalização do uso do dólar no país.

Petróleo sob disputa internacional

As mudanças no governo ocorrem poucos dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um acordo para que a Venezuela envie entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo ao mercado norte-americano. Segundo Trump, o óleo será vendido a preço de mercado, e os recursos ficarão sob controle do governo dos EUA.

“Esse petróleo será vendido a preço de mercado, e o dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos, para garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”, afirmou Trump em publicação na rede Truth Social.

O republicano declarou ainda que o plano será executado pelo secretário de Energia, Chris Wright, e que o transporte ocorrerá por meio de navios de armazenamento até terminais norte-americanos.

Delcy Rodríguez, por sua vez, reagiu às declarações e buscou reafirmar a soberania do país. Em discurso televisionado na terça-feira (6), afirmou que não há interferência externa no comando do governo. “O governo da Venezuela vigora em nosso país, mais ninguém. Não há agente externo que governe a Venezuela”, declarou.

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