Os benefícios sociais destinados aos cidadãos de Mato Grosso do Sul injetaram mais de R$ 1,8 bilhão na economia estadual ao longo dos 12 meses do ano passado. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), somente o programa Bolsa Família destinou R$ 1,579 bilhão a MS entre janeiro e dezembro de 2025.
Já o programa Mais Social, mantido pelo governo do Estado, injeta mensalmente, em média, R$ 18 milhões na economia sul-mato-grossense, para atender mais de 40 mil famílias. Considerando essa média ao longo dos mesmos 12 meses, foram R$ 216 milhões disponibilizados no mercado local.
Somados, os dois programas de transferência de renda movimentaram R$ 1,795 bilhão na economia de Mato Grosso do Sul no período.
Conforme especialistas os recursos provenientes dos benefícios sociais são fundamentais para manter a economia aquecida, uma vez que garantem a circulação de dinheiro no comércio local.
No entanto, eles ponderam que esses programas também podem, em determinados contextos, dificultar a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho formal.
Para o economista Eduardo Matos, os benefícios sociais têm duas vertentes de atuação: a primeira é a função social, voltada à inclusão econômica das famílias, e a segunda é o impacto econômico direto, já que os recursos financeiros são integralmente convertidos em consumo.
“Pelo ponto de vista econômico, a injeção de recursos financeiros na camada mais baixa da economia significa consumo, e o consumo, por sua vez, movimenta o comércio, tanto de bens quanto de serviços, o que impulsiona a economia local”, ressalta Matos.
O doutor em Administração Leandro Tortosa destaca que esses programas contribuem para “lubrificar as engrenagens que movimentam a cadeia econômica do País”, uma vez que há comprovação de que os valores impactam diretamente diversos setores.
Com base em um amplo estudo do Banco Mundial (“Cash Transfers and Formal Labour Markets – Evidence from Brazil”), Tortosa aponta que, a cada US$ 1,00 investido pelo governo, o benefício social retorna aproximadamente US$ 2,16 para a comunidade local.
“O estudo mostrou que, em média, 54% do gasto dos beneficiários é destinado a serviços, sendo dois terços realizados em lojas físicas”, explica.
Já o especialista em Gestão de Pessoas Carlos Ornellas apresenta um contraponto a essa conclusão, ao citar um estudo divulgado em 2024 pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
Segundo o levantamento, a ampliação dos benefícios do Bolsa Família nos últimos anos tem contribuído para a redução da busca por emprego entre grupos mais vulneráveis da população, como mulheres, jovens e trabalhadores com menor escolaridade.
“Com o aumento expressivo no valor médio do benefício, que praticamente triplicou em relação ao patamar pré-pandemia, observou-se um efeito direto e relevante na queda da participação laboral”, explica.
