Primeiro trimestre em MS fecha com aumento de 10% em crimes violentos

O primeiro trimestre de 2025 apresentou aumento de 10% nos crimes seguidos de mortes em Mato Grosso do Sul, considerando o mesmo período do ano passado. De janeiro a março, foram registrados 119 casos, enquanto no ano de 2024, foram 108 registros.

O levantamento realizado peloJornal Midiamax, com base nos dados apresentados no SIGO Estatística, da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), elencou os CVLI (Crimes Violentos Letais Intencionais). A categoria inclui feminicídios, homicídios dolosos (com intenção de matar), lesão corporal seguida de morte, latrocínio (roubo qualificado resultando em morte) e maus tratos (se do fato resulta a morte).

Em comparação com o primeiro trimestre de 2024, os números revelam aumento de aproximadamente 10% nos registros. O mês de março, no caso, foi o mais sangrento do primeiro trimestre, com 43 casos, contra janeiro do ano passado, com 42.

Contudo, apesar do aumento nos números, alguns tipos de crimes tiveram redução no trimestre, como feminicídios – a análise aponta redução de aproximadamente 36% de 2024 para 2025.

Dados extraídos em 04/04/2025 | Infografia: Giovana Gabrielle, Midiamax

Feminicídios

A violência contra a mulher resultante em feminicídios no Mato Grosso do Sul apresentou redução no primeiro trimestre em comparação com o ano de 2024. Contudo, os números ainda são expressivos. No ano de 2024, foram registrados 11 casosnúmero que caiu para 7 neste ano, apresentando uma redução de aproximadamente 36%.

Entre os sete casos registrados, o feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte, morta aos 42 anos pelo ex-noivo, Caio Nascimento Pereira – uma semana antes do casamento no civil -, ganhou repercussão na imprensa local e nacional. Vanessa foi assassinada em sua residência no final da tarde do dia 13 de abril, no bairro São Francisco, em Campo Grande.

Desse modo, o primeiro trimestre do ano registrou também a morte de Karina Corim, Juliana Domingues, Miriele dos Santos, Emiliana Mendes, Gisele Cristina Oliskowiski e Alessandra da Silva Arruda.

Homicídio doloso

Os casos de homicídios dolosos – que enquadram crimes onde há intenção de matar, ou que assumem o risco de matar outra pessoa, podendo ser simples ou qualificado – são os mais volumosos em Mato Grosso do Sul. Os dados apontam neste primeiro trimestre 106 registros nos casos. Comparado ao período equivalente de 2024, quando foram registrados 99 casos, o aumento foi de 7,07% em 2025.

Entre registros, está o caso de Emílio Vilalba, assassinado no dia 10 de fevereiro, no bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande. O caso é considerado pela Polícia Civil crime premeditado, conforme apontam as investigações e confissão de adolescente de 16 anos, participante do homicídio.

O grupo teria se reunido um dia antes para arquitetar o crime. Na madrugada do dia 10, eles foram até a casa de Emílio. No local, eles teriam enforcado a vítima até a morte, depois a colocaram em um colchão coberto com um lençol.

Em seguida, os suspeitos levaram Emílio para o quintal do local, onde atearam fogo. Contudo, começou a exalar um forte odor no ambiente, e o grupo decidiu enterrar Emílio, cobrindo seu corpo com folhas e plásticos que estavam no terreno.

Residência onde Emílio morava (Foto: Nathalia Alcântara, Midiamax)

Lesão corporal seguida de morte

Entre os crimes que apresentaram redução, está a lesão corporal seguida de morte, caracterizada como um crime preterdoloso. Isso porque o autor tem a intenção de ferir a vítima, mas não deseja matá-la.

Em um comparativo, a redução é mínima em números absolutos, mas significativo na estatística: contra 3 casos do primeiro trimestre deste ano, foram 4 de mortes por lesão corporal no ano passado, uma redução de 25%.

Nos primeiros registros do ano, está o caso do haitiano Mardoche Borgelin, morto aos 35 anos, no bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande. O crime ocorreu na noite do dia 8 de janeiro. Mardoche, na época, foi brutalmente assassinado com golpes de barra de ferro, pauladas e pedradas. Devido à gravidade do caso, sofreu traumatismo craniano encefálico e ficou com o rosto totalmente desconfigurado.

Local aonde a vítima morreu (Arquivo, Midiamax)

Roubo seguido de morte (latrocínio)

Entre os Crimes Violentos Letais Intencionais, também está roubo seguido de morte – popularmente conhecido como latrocínio. A tipificação apresentou uma redução de 50%: em Mato Grosso do Sul, no primeiro trimestre de 2024, consta o registro de quatro casos, contra dois registrados neste ano.

Considerado hediondo, o crime vitimou o empresário Edvaldo Alves de Abreu Lima, de 41 anos. Ele entrou para as estatísticas ao ser assassinado com sete facadas e ter o carro – Jeep – roubado, em Nioaque. O crime ocorreu no dia 8 de fevereiro.

Edvaldo era proprietário de uma conveniência na cidade, com pouco mais de 13 mil habitantes, segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os suspeitos abordagem a vítima na sua própria residência, encontrado sem vida, por sua irmã, que havia conseguido entrar na casa e acionar a PM (Polícia Militar).

 

 

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